quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Mulher e a Fé

Minha Deusa que sofrimento me habita desde que me sinto, que sofrimento e tristeza por minha carne, minha mente, sentir, ver e escutar toda esta não existência feminina na terra e esta subjugação do feminino pelo masculino, ambos neste momento dominantemente inconscientes e, portanto, sem significado essencial!


O culto ancestral da Deusa, da Mãe, da Mulher e, por extensão, de Maria, foi intencionalmente e conscientemente arrancado da memória ancestral e do coração inato dos seres humanos, com o objetivo de fazer prevalecer o masculino como referência central em todos os modelos de organização social e de controlo das sociedades humanizadas. Este processo permitiu a consolidação de sistemas religiosos, políticos e económicos assentes numa lógica patriarcal, onde o feminino foi progressivamente silenciado e desvalorizado.

Todas as religiões institucionalizadas são lideradas por homens e, de forma mais ou menos explícita, colocam a mulher à margem das suas hierarquias. A substituição simbólica da Deusa pelo Deus, da Rainha pelo Rei, da Sacerdotisa pelo Sacerdote e da Mãe pelo Pai constituiu um eixo estruturante deste processo de dominação.

Ana Ferreira Martins


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